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Reformar o imóvel não precisa ser sinônimo de transtorno

Contratação de ajuda profissional qualificada pode reduzir gastos desnecessários em obras estruturais no imóvel e tornar mais fáceis intervenções estéticas na decoração.
 (Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Vez ou outra, não há quem não sinta a necessidade de dar uma renovada no visual do lar. A tarefa, que ao mesmo tempo é prazerosa, precisa de cuidados. Para que a reforma não gere prejuízos e muito atraso, a ajuda profissional é muito valiosa. Entre as vantagens de optar pela orientação especializada estão economia no uso de material e diminuição no prazo para conclusão da obra.

Antes de começar o trabalho, é preciso avaliar o tipo de necessidade para fazer o planejamento. “Às vezes algum lançamento de material no mercado ou uma modificação no estado de espírito das pessoas aguçam a vontade de mudanças radicais no ambiente. Por isso é importante perceber as reais necessidades de mudança para que não se desperdice dinheiro e tempo”, comenta a arquiteta Cristina Morethson.

A arquiteta Graziella Nicolai diz que, normalmente, algumas situações levam a uma obra. “Além das questões estéticas de atualização da decoração e a necessidade de espaços mais adequados para uma nova demanda familiar, alguns problemas de funcionamento e desgaste podem pedir uma reforma”, explica.

Assim, seja por necessidade de dar uma renovada no visual da casa ou por começar a aparecer problemas estruturais, como infiltrações, a arquiteta Ana Paula Carneiro diz que a reforma se faz necessária. “O primeiro passo é fazer um projeto, inserir o custo das mudanças em um limite financeiro aceitável e ainda conseguir bons resultados”, pontua. Feito isso, o primeiro passo da jornada é pedir orçamentos e estabelecer uma relação interessante entre custo e benefício. “Preços acessíveis são importantes, mas a qualidade do serviço deve estar em primeiro lugar. Lembre-se de conferir os trabalhos que o profissional realizou, pegar indicações e consultar arquitetos e designers, que sempre conhecem pessoas de confiança”, aconselha Ana Paula.

A contratação por meio de indicação é essencial, como acrescenta o engenheiro civil Ângelo Coelho. “É primordial que se procurem profissionais gabaritados para que não ocorram dúvidas, perdas e problemas decorrentes de inexperiência. No caso de obras que necessitem de alvenarias, vigas, lajes e instalações elétricas e hidráulicas, é preciso que haja sempre o acompanhamento e projetos de um arquiteto e/ou engenheiro civil, responsáveis perante os órgãos competentes para responder pela responsabilidade técnica dos projetos e execuções.”

QUALIFICAÇÃO

 (Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Quando a obra envolve ampliações e demolições, Cristina Morethson afirma que é necessária a elaboração de projetos arquitetônicos, elétricos e hidráulicos e o acompanhamento do arquiteto ou engenheiro civil com aptidão para esses trabalhos. “Para os projetos de interiores e acompanhamento da decoração, são indicados os arquitetos, designers de ambientes ou decoradores, que fazem projetos de rebaixamento de gesso, luminotécnico, leiaute e detalhamento de interiores e do mobiliário.”

Graziella Nicolai informa que o arquiteto é responsável pelo projeto, que contém todas as informações necessárias para compra e execução da obra. “Os decoradores e designers podem fazer projetos internos com restrições inerentes à sua formação, segundo legislação. Já o engenheiro civil é normalmente responsável pela execução dos projetos”, explica. Ela acrescenta que outros profissionais de projeto, como engenheiros hidráulicos e elétricos, são parte importante do processo.

Cálculos na medida certa
Com orientações de especialistas fica mais fácil dimensionar a quantidade de peças para concluir reformas sem gastos desnecessários

“Em projetos de reforma de arquitetura, algumas etapas devem ser seguidas, como levantamento das necessidades do cliente e informações sobre o espaço” – Graziella Nicolai, arquiteta

Durante a etapa de planejamento da reforma, além da contratação dos profissionais, outro passo fundamental é a compra de produtos, como destaca a arquiteta Ana Paula Carneiro. “Se a ideia for conseguir descontos, nada melhor do que apostar em grandes quantidades. Mas, caso a obra seja realizada em etapas, pode ser interessante acompanhar o ritmo do trabalho e aproveitar as promoções de temporada para adquirir o material.”

A arquiteta observa que, diante da grande diversidade de produtos disponíveis no mercado, muita gente acaba fazendo más escolhas por falta de conhecimento. “Para evitar ciladas na hora da compra, aproveite as dicas dos profissionais que estarão trabalhando na reforma. Lembre-se também de adquirir material – principalmente pisos – com uma margem reserva de 10%”, orienta Ana Paula.

De acordo com o engenheiro Ângelo Coelho, é de extrema importância observar a destinação do ambiente. “Além de sua utilização, área necessária às funções, especificação dos material correto, verba disponível, orçamentos, tempo de execução e prazos de entrega do material e mão de obra especializada. O profissional não pode esquecer jamais as necessidades e desejos dos proprietários, que são os usuários.”

Para planejar um novo espaço, a arquiteta Graziella Nicolai diz que o principal é ouvir o cliente. “Suas necessidades são passadas durante uma entrevista inicial, mesmo que de forma indireta, e são usadas para o desenvolvimento do projeto. O trabalho do arquiteto é, na verdade, traduzir em projeto as necessidades e desejos do cliente”, revela.

Graziella explica que planejar significa seguir fases para alcançar alguma meta. “No caso de projetos de reforma de arquitetura, algumas etapas devem ser seguidas: levantamento das necessidades do cliente e informações sobre o espaço, elaboração do projeto inicial, do projeto executivo e acompanhamento da obra. Somente dessa forma um projeto pode ser bem-sucedido. O gerenciamento dele durante todo o processo talvez seja mais importante que o próprio projeto.”

O engenheiro Ângelo Coelho recomenda a proteção de pisos e revestimentos para concluir acabamentos sem danificar o que está pronto (EDUARDO DE ALMEIDA/RA STUDIO)

O engenheiro Ângelo Coelho recomenda a proteção de pisos e revestimentos para concluir acabamentos sem danificar o que está pronto

Para fazer esse trabalho, é essencial observar a experiência do profissional, observando trabalhos realizados ou por meio da indicação de pessoas que já utilizaram seus serviços, como reforça Cristina Morethson. Todo o cuidado é pouco para evitar transtornos como erros de dimensionamentos e de execução de obras. “Além de leiaute inadequado”, completa a arquiteta.

Há, ainda, riscos gerados por problemas estruturais, elétricos, hidráulicos, uso de material de baixa qualidade ou inadequado ao ambiente e inexperiência na contratação e orientação da mão de obra. “Sempre digo que o barato sai caro. O profissional gabaritado é o gerador da satisfação do cliente quanto aos resultados esperados, pois está à frente das tendências, das inovações, tecnologia e comando do planejamento e das ações na obra”, argumenta Cristina.

REGISTRO

Graziella Nicolai diz que se deve pesquisar se o profissional está apto a realizar o projeto. Além de trabalhos e referências de trabalhos executados, isso depende de outros fatores. “Da sua formação e de seu registro nos órgãos de classe – no caso dos arquitetos, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU). Para toda atividade profissional, deve-se emitir um registro de responsabilidade técnica (RRT), que tem de estar na obra em função da fiscalização, que é essencial para manter a atividade.”

Ajuda profissional, segundo a arquiteta Cristina Morethson, evita desperdícios nas obras (EDUARDO DE ALMEIDA/RA STUDIO)

Ajuda profissional, segundo a arquiteta Cristina Morethson, evita desperdícios nas obras

Quando se contrata um profissional com habilitação para fazer projetos de reforma, Graziella costuma dizer que o produto comprado (o projeto) é um documento, que consiste em desenhos técnicos que seguem normas internacionais. “São a linguagem para todo o processo da construção civil. O projeto deve ser anexado ao contrato feito e assegura o que deve ser entregue. O projeto deve ser levado na hora da compra do material e é a base para a elaboração dos orçamentos”, explica Graziella.

Mas, para executar o trabalho, é preciso tomar alguns cuidados para evitar estragos, segundo Ângelo Coelho. “É necessário isolar com lona ou papelão bancadas e pisos novos assentados, proteger o material estocado para que não haja quebras e planejar as entregas do material para não sobrecarregar o espaço e atrapalhar as atividades”, aconselha.

Planejar é essencial

Antes de começar qualquer obra, inicialmente é necessário planejar para ter mais segurança de que o trabalho será finalizado, e com sucesso. “Em primeiro lugar, é preciso definir exatamente o que vai ser feito e o quanto se pretende gastar. Esse passo vai orientar o tipo e quantidade de material a comprar e quais profissionais serão contratados, entre outras despesas”, informa a arquiteta Ana Paula Carneiro.

De acordo com a profissional, neste momento, é importante manter os pés no chão e distribuir bem a verba disponível. “Para tanto, é essencial ter um orçamento detalhado, com o preço dos itens muito bem pesquisados, para que o dinheiro não acabe antes do fim da obra”, diz.

Uma vez tendo consciência da necessidade de planejar, é fácil verificar como é importante contratar um profissional de projeto, preferivelmente um arquiteto ou um decorador experiente. “Na falta desses, um engenheiro civil com prática em obras de pequeno porte também poderá atender perfeitamente. Mas até pela própria formação acadêmica, realmente, o recomendável é mesmo o arquiteto.”

CUSTO

 (Eduardo Almeida/RA Studio)

Independentemente da escolha, o importante é que a pessoa sem experiência em projeto e construção não se meta a fazer as coisas por conta própria, porque o barato pode sair caro, como adverte a arquiteta. “Um profissional de projeto cobra entre 5% e 25% do valor da obra, que pode incluir a supervisão da construção e que pode facilmente ser retirado da economia que vem do planejamento”, informa Ana Paula.

Para cobrar pelo serviço, Cristina Morethson diz que há tabelas e normas para cada profissional, de acordo com a entidade de classe à qual pertence. “Podem cobrar por horas trabalhadas, metro quadrado, pranchas de projeto, porcentagens para administração da obra ou preço fechado para projetos e obra. Enfim, o acordo entre profissional e contratante sempre tem que ser regido por contrato de trabalho entre as partes.”

SEM ERRO
Confira algumas recomendações para evitar dor de cabeça com obras

» TINTA
Antes de aplicá-la, é preciso limpar bem as paredes previamente lixadas, para evitar que a pintura descasque. Deve-se evitar o uso de tinta muito diluída e não pintar sobre paredes úmidas. Um especialista poderá indicar a necessidade de aplicar um fundo preparatório antes da aplicação da tinta.

» REJUNTE

A massa para rejunte e a argamassa para fixação de pisos e azulejos são perecíveis. Após misturadas com água, devem ser utilizadas em até duas horas. Depois disso, o azulejo pode se soltar com o tempo. Rejuntes escuros ficam com aparência de velhos mais cedo, principalmente em paredes e locais que
recebem sol direto.

» PISOS

 (Eduardo Almeida/RA Studio)

Caso o piso não seja trocado, proteja-o contra riscos durante toda a obra, especialmente se for de madeira. Utilize placas de madeira compensada ou de borracha para proteger as áreas de passagem.

» ELÉTRICA E HIDRÁULICA
Aproveite a oportunidade da reforma para checar o estado da parte elétrica e hidráulica e fazer reparos, se forem necessários. Encare o serviço como um investimento no imóvel e um seguro contra aborrecimentos futuros. Caso seja preciso substituir a tubulação hidráulica, procure usar PVC nos tubos de água fria e o novo PPR nas de água quente, em substituição ao cobre.

» TOMADAS

Nunca haverá o suficiente. Faça um projeto com novos pontos para elas e preveja também pontos e tubulação para a fiação de telefones, TV a cabo, internet e até de som, caso tenha pretensão de instalar um sistema de home theater. Lembre-se de que os eletrodomésticos modernos, como forno de micro-ondas, máquinas de lavar e secadores de cabelo, consomem muita energia e fios muito finos podem causar incêndios e aumentar a conta de luz.

Fonte: Lugar Certo

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